“7 Coisas que Aprendi” – Sobre Escrever

[por Brontops Baruq]

1) Escrever não ensina a escrever melhor. Assim como o ato de respirar não ensina a respirar melhor e caminhar não cria um melhor caminhante, escrever, escrever apenas não é garantia de nada. É preciso reflexão ou tesão, uma mistura das duas coisas, além de um objetivo, saber onde se quer chegar.
2) Desnecessário escrever para aprender alguma coisa. Ler e observar são melhores alternativas. Aliás, pode-se aprender com tudo em sua vida. Não só na sala de aula, mas no trabalho, nos esportes, com os amigos, parentes, na condução. Efetivamente você aprende ou apreende, sem notar. Novamente, é preciso reflexão, algo para amarrar o que está acontecendo.
E se você decidir escrever sobre o que está acontecendo, isto acaba sendo mais importante: não seja uma máquina de frases feitas e lugares comuns. Os flocos de neves são únicos, as digitais são únicas, mas são essencialmente a mesma coisa. Traga algo novo.

3) O que aprendi de mais importante com escrever foi o Teorema da Incompletude, do matemático Kurt Godel. Culpa de uma série de coincidências: um dia, com mais tempo ou mais saco, explico como. Mas o caso aqui é o seguinte: não se limite à literatura.
É natural que o seu texto exale o odor de sua vida. Quem lê muito transpira livros. Não se limite à literatura. Hoje muitos afirmam (ou sentem, simplesmente) que a literatura é irrelevante. Talvez seja mesmo, sob um certo ponto de vista. Culpa de quem faz dela instrumento para diversão. Culpa de quem faz dela plataforma para sabedoria. Se querem tornar a literatura válida ela precisa ser sábia, ser divertida, mas façam-na viver, façam para a vida.

4) Pesquise muito. No papel E na vida. E nem sempre a favor do que você pensa, gosta ou acredita.

5) Gostaria de dizer mais coisas, mas eu mal comecei a escrever “profissionalmente”. Não gosto de cristalizar métodos ou declarar verdades, ainda mais na possibilidade sempre real de nunca mais escrever a próxima linha. Acho que a postagem do Kastensmidt consegue chegar mais direto ao ponto e dizer coisas mais interessantes. Ou o famoso discurso de Neil Gaiman.

6) Tenho dúvidas que se possa ensinar algo… [Desconfie de você]

7) …Se a pessoa não quiser mesmo ouvir [Desconfie do leitor]
isto pode soar meio cafona, mas foda-se. Meu pai vivia declamando algo que se presta bem ao que estamos dizendo: “Caminante, no hay camino,se hace camino al andar”

Fonte:  http://terracotaeditora.com.br/?p=2349